Olhou a janela mais uma vez...Era a terceira vez em quinze minutos. Mas dessa vez deixou-se permanecer.
Observava o horizonte, a nevoa seca que surgia diante dos seus olhos, embaçando o vidro da janela de seu quarto. Olhava aquela nevoa densa..queria perder-se nela.
Porque pela primeira vez em muito tempo queria sentir-se livre. As ultimas semanas haviam sido muito dificeis.
Vira, diante de seus proprios olhos, sua vida desabando. Parecia incrivel que tudo havia acontecido em duas semanas.
Fazia duas semanas que ele havia partido em uma viagem para a Europa. Viagem a negocios, precisava resolver algumas coisas antes do csamento.
Finalmente iriam se casar, depois de três longos anos de namoro...Se conheciam a pelo menos o dobro do tempo. E agora iam se tornar um só. Esperavam a resposta da Igreja quanto a data, eles não haviam feito exigencias, só queriam que fosse ainda naquele mês.
Havia ido ao aeroporto deixá-lo. Um sorriso, um beijo e uma promessa de voltar logo. O mundo lhes pertencia.
Duas semanas depois, o telefonema. Um acidente..O avião dele havia caido..Sem sobreviventes.
Algumas lagrimas brotaram-lhe nos olhos. Viera entregar uma carta. Abriu o envelope enquanto enxugava as lágrimas que lhe escorriam pela face. Era a resposta da Igreja, 23 de fevereiro..
Olhou mais uma vez a janela, abriu o vidro, olhou fixamente a névoa. Mergulhou na névoa, a mesma que havia tragado seu amor. Mergulhou para a morte.
Uma morte doce...Morrer de amor!
Perfeito como todos os seus textos! Mas esse me faz enxergar a cena como se fosse um filme e teve um "sinal" estranho na aula do Poletti (rsrs). Enfim um otimo texto! Tristeee
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