Seus cabelos já haviam perdido a cor e, grisalhos, somavam-se ao branco de sua pele. Marcas em sua pele se faziam presentes, mostrando que o tempo já havia passado... Quanto tempo mesmo?
Mas o que isso importava? Não via mais o tempo da mesma forma que via antes. Quando se é jovem não se pensa que um dia vai envelhecer, mas todos envelhecem.
Chegara a um ponto que precisava descobrir: será que tudo que havia vivido valera?
Imersa nesses pensamentos, deixou seu olhar vagar pela sala. Via quadros, imagens, objetos de decoração; tudo com extrema elegância. Exceto aquele objeto que repousava sobre a estante. Mas foi justo esse que seus olhos quiseram fitar. Deixou-se olhar longamente aquele objeto.
Observava-o como quem admira uma obra-prima, notando cada detalhe. Desejava agora tocá-lo. Sim! Queria tocá-lo! Sentir aquele objeto na esperança que aquilo a fizesse voltar no tempo. Sem mais conter essa vontade, levantou-se com alguma dificuldade e lentamente caminhou até a estante e recolheu em seus braços o objeto de seu desejo, voltando ao repouso de sua cadeira.
Tomada por intensa emoção, abraçou com força o objeto, enquanto lágrimas brotavam de seus olhos.
Ah, seus olhos... Seu cabelo e pele provavam que o tempo havia passado, mas seus olhos não. Para eles, seu brilho não havia acabado e nenhum segundo havia se passado.
Finalmente entendera, aquele momento ficaria pra sempre. Afrouxou o abraço apertado e olhou com ternura o objeto: um simples porta-retrato. Um porta retrato com a foto de um homem... O seu amor...
Então entendeu que nunca o perdera, pois seu amor ainda queimava em seu peito.
As lágrimas ainda escorriam em seu rosto... A vista começava a escurecer... A respiração ficava mais lenta... Simplesmente dormiu... Na esperança de em seus sonhos poder encontrar o seu amor.
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